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quarta-feira, 11 de abril de 2012

HOMOSSEXUALISMO À LUZ DE Rm 1:26-27



Gilson Medeiros da Silva*







Introdução
Desde os primórdios da humanidade, as sociedades convivem com os mais variados tipos
de comportamentos sexuais. O relato bíblico da Criação em Gn 1 e 21 mostra que Deus formou o
homem e a mulher para viverem em comunhão íntima, tornado-se “uma só carne”. Porém o pecado
infiltrou-se nos relacionamentos sexuais entre os seres humanos de tal forma que hoje a sociedade
convive com uma variação enorme de perversões sexuais, tais como: narcisismo, homossexualismo,
masturbação, sadismo, masoquismo, exibicionismo, pedofilia, gerontofilia, fetichismo, travestismo,
incesto, pluralismo, necrofilia, bestialidade, zoofilia, voyeurismo, sexopatia acústica, renifleurismo,
coprofagia, frotterurismo, entre outros.2
O presente trabalho não vai entrar nos detalhes das diversas anomalias sexuais, limitandose
apenas ao estudo do homossexualismo, pois este é o tema tratado pelo apóstolo Paulo em Rm
1:26 e 27, como veremos. O artigo será dividido nas seguintes seções: Estudo da referência paulina
em Romanos; conceito e causas da homossexualidade; os motivos pelos quais Deus condena este
comportamento sexual; terapia para a regeneração daqueles que apresentam este desvio da sua
sexualidade; e, por fim, as conclusões pessoais do autor.
Breve Comentário Sobre Rm 1:26-27
Encontra-se a declaração de Paulo nas seguintes palavras:
Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas
relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contacto
natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e
recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro.
Há um consenso geral de que Paulo referia-se aqui à prática do lesbianismo e do
homossexualismo masculino.3 A palavra “natural” (kata physin) em oposição à “contrária à
natureza” (para physin) era usada no tempo de Paulo com muita freqüência como uma maneira de
estabelecer distinção entre comportamento heterossexual e homossexual.4 Harrison acrescenta que
“Paulo usa linguagem direta, para condenar a perversão do sexo fora do seu justo lugar: dentro do
* Gilson Medeiros da Silva é Teólogo, formado pelo Seminário Adventista Latino-americano (SALT-IAENE). Novembro de 2007.
1 Salvo indicação contrária, a versão adotada nesta monografia é a de João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada (ARA), 2ª
edição (São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993).
2 Jaime Snoek, Ensaio de ética sexual (São Paulo: Edições Paulinas, 1981), 270.
3 A interpretação tradicional de que estes versos descrevem e condenam todo comportamento homossexual, vem sendo contestada
pelos movimentos gays. São três os argumentos levantados: Primeiro, dizem que a passagem é irrelevante, considerando-se que o seu
propósito não é, nem ensinar ética sexual, nem denunciar o vício, mas sim retratar a maneira como se manifesta a ira de Deus. Em
segundo lugar, afirmam que tudo indica que Paulo estaria pensando somente na pederastia já que não havia outra forma de
manifestação homossexual masculina no mundo greco-romano, e que ele estaria se opondo a ela por causa da humilhação e
exploração vivenciadas pelos jovens envolvidos. Em terceiro lugar, os grupos “pró-gays” questionam o que Paulo quis dizer por
“natureza”, pois alegam que as suas relações não podem ser descritas como “contrárias à natureza”, já que elas lhes são perfeitamente
naturais. Eles alegam que as pessoas que Paulo está condenando são as declaradamente não-homossexuais, ou seja, ele condena os
atos homossexuais cometidos por pessoas aparentemente heterossexuais. Para uma melhor análise e refutação da argumentação
utilizada por estes movimentos de homossexuais, ver: John Stott, Romanos (São Paulo: Editora Aliança Bíblica Universitária, 2000),
84-85. Stott cita as seguintes obras como base para a argumentação dos movimentos gays: Robin Scroggs, The New Testament and
Homosexuality (Fortress, 1983), 115, 130; John Boswell, Social Tolerance and Homosexuality (University of Chicago Press, 1980),
107.
4 Richards B. Hays, Relations Natural and Unnatural: A Response to John Boswell’s Exegesis of Romans 1, Journal of Religious
Ethics, Primavera 1986, p. 192, citado em Stott, 85.
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relacionamento conjugal”.1 Outro teólogo afirma que a contaminação do corpo humano é
claramente manifestada no homossexualismo, pois ele é obviamente antinatural, contrário à
natureza sexual.2
A prática do homossexualismo era comum no mundo pagão, tendo forte presença na
sociedade em geral,3 sendo designado como o “pecado grego”.4 Paulo escreveu sua epístola aos
Romanos na cidade de Corinto, a capital dos vícios gregos, e certamente já vira ali evidências sobre
as práticas homossexuais.5
Lovelace ainda diz que “contrária à natureza” significa “simplesmente contra a intenção de
Deus para o comportamento sexual humano que é explicitamente visível na natureza, na função
complementar dos órgãos sexuais e dos temperamentos do macho e da fêmea”.6
No verso 27 Paulo emprega o termo arsen 3 vezes, traduzidos na ARA por “homens”.7 O
substantivo arsenokoites (“homossexual masculino”, “pederasta”) é empregado pelo apóstolo como
alguém que não herdará a salvação por estar sob a condenação de Deus (1Co 6:9; 1Tm 1:10).8
Brown ainda acrescenta que aqui a perversão sexual é vista como resultado de (e, até certo ponto,
um julgamento sobre) o pecado do homem em adorar a criatura ao invés do criador.9
Conceito e Causas da Homossexualidade
Uma vez comprovado que o tema que Paulo abordou em Rm 1:26-27 foi mesmo a
homossexualidade, tanto masculina quanto feminina, faz-se necessário um maior aprofundamento
sobre o estudo deste comportamento sexual.
O homossexual é considerado uma pessoa com tendência a dirigir o desejo sexual para
outra pessoa do mesmo sexo,10 ou seja, ele (ou ela) sente atração erótico-sexual por parceiro do
mesmo sexo.11 Maranon apresenta uma definição mais completa sobre a homossexualidade nas
seguintes palavras:
1 Everett F. Harrison, ed., Comentário bíblico Moody (São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1983), 5:12.
2 Dale Moody, “Romanos”, Comentário bíblico Broadman, ed. Clifton J. Allen (Rio de Janeiro: Junta de Educação Religiosa e
Publicações, 1994), 10:204.
3 Ibid.
4 Russell N. Champlin, O Antigo Testamento interpretado (ATI), (São Paulo: Milenium, 1980), 3:583. Champlin cita Vincent, que diz
que “nos estados dóricos (Creta e Esparta), essa prática era favorecida como um instrumento educativo, sendo algo reconhecido pelas
leis”. Porém, Willian Barclay, afirma que embora a homossexualidade permeasse a sociedade grega, “era considerada anormal, e
nunca foi legal”, ver: William Barclay, The Ten Commandments for Today (Nova Iorque: Harper, 1973), 154, citado em Bob Davies,
e Lori Rentzel, Deixando o homossexualismo (São Paulo: Mundo Cristão, 1997), 254.
5 Ibid.
6 Richard F. Lovelace, Homosexuality: What Should Christians Do About? (Old Tappan, NJ: Revell, 1984), 92, citado em Davies e
Rentzel, 254.
7 Colin Brown, “Homem”, Dicionário internacional de teologia do Novo Testamento (DITNT), eds. Lothar Coenen, e Colin Brown
(São Paulo: Vida Nova, 2000), 1:972.
8 Ibid.
9 Ibid. Para outros comentários sobre o homossexualismo em Rm 1:26-27, ver: F. F. Bruce, Romans (Grand Rapids, MI: W.B.
Eerdmans Publishing Company, 1975), 85; “Men with men” [Rm 1:27], Seventh-day Adventist Bible Commentary, ed. Francis D.
Nichol (Washington, DC: Review and Herald, 1957), 6:480; Kenneth L. Barker, e John R. Kohlenberger III, “New Testament”, NIV
Bible Commentary (Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House, 1995), 2:528-529; Donald G. Barnhouse, “Man’s Ruin”,
Romans (Grand Rapids, MI: W. B. Eerdmans Publishing Company, 1995), 1:270-280; F. E. Hirsch, e J. K. Grider, “Homosexual
Relations”, The International Standard Bible Encyclopedia, ed. Geoffrey W. Bromiley (Grand Rapids, MI: W. B. Eerdemans
Publishing Company, 1988), 1:816; B. L. Bandstra, e A. D. Verhey, “Homosexuality”, The International Standard Bible
Encyclopedia, ed. Geoffrey W. Bromiley (Grand Rapids, MI: W. B. Eerdemans Publishing Company, 1988), 4:435.
10 Júlio Severo, O movimento homossexual (Venda Nova, MG: Betânia, 1998), 133.
11 Snoek, 272.
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Por mais classificações que se façam desta anormalidade, a base patogenética é sempre a mesma: uma sexualidade
recuada, de polivalência infantil que, por circunstâncias externas, condiciona sob diferentes formas seu objetivo
erótico em sentido homossexual.1
Baseando-se no relatório de Kinsey, os homossexuais pretendem que sua condição seja
considerada “uma espécie de forma alternativa de sexualidade, homóloga e simétrica à
heterossexualidade”.2
Bergler, porém, vê a homossexualidade como uma espécie de “síndrome neurótica”,
caracterizada por alguns estigmas bem definidos, a saber: uma elevada dose de masoquismo
psíquico, levando o homossexual a situações de desconfianças e humilhações; medo, ódio, fuga em
relação ao sexo oposto; insatisfação constante e insaciabilidade sexual; megalomania; depressão;
sentimento patológico de culpa; ciúme irracional; e inadmissibilidade psicopática.3
As pesquisas com relação às causas da homossexualidade ainda não são consideradas de
todo consistentes; porém, elas podem ajudar na orientação de uma profilaxia social com relação ao
homossexualismo.4 Gius afirma que “não se verificam quadros de aberração cromossômica ligados
primitivamente à homossexualidade”,5 o que descarta sua origem genética, pois “em todos os casos
de homossexualidade masculina examinados, o sexo genético correspondia ao sexo fenotípico
(respectivo) e faltavam sinais de qualquer alteração cromossômica verdadeira”.6
Mesmo os defensores da origem genética da homossexualidade admitem que a eventual
“predisposição inata” só se transforma em efetivo desejo homossexual por força de fatores
desencadeadores de natureza psicossocial, dentre os quais: obsessiva ligação com uma mãe
autoritária ou possessiva; falta de uma figura paterna significativa como modelo de identificação;
experiências de iniciação na infância ou adolescência; e fixação ou regressão da personalidade a
níveis auto-eróticos, com supervalorização do falo (órgão sexual masculino).7
O homossexual é um homem ressentido por acreditar que não tem o corpo que sua mente
mereceria.8 Freud também considerava que o meio onde as crianças se desenvolvem é fator
determinante de sua sexualidade.9
1 G. Maranon, L’evoluzione della sesualitá e gli stati intersessuali (Bolonha, 1934), 178-179, citado em Guido Gatti, Moral sexual –
educação ao amor (São Paulo: Editora Salesiana Dom Bosco, 1985), 150. Apesar de a homossexualidade ser encarada quase sempre
como uma “anomalia de comportamento”, alguns estudiosos, entre os quais figura Kinsey, querem enquadrá-la como uma “forma de
comportamento difundida e sociologicamente normal”. Em seu relatório, Kinsey estabeleceu seis graduações intermediárias,
passando da heterossexualidade pura para a homossexualidade exclusiva e total, do qual chegou à conclusão de que cerca de um
terço da população americana masculina não seria nem hetero nem homossexual exclusivamente. Ver: H. Kinsey, Il comportamento
sessuale dell’uomo (Milão, 1950), citado em Gatti, 149.
2 Gatti, 150.
3 E. Bergler, Psicoanalisi dell’omosessualitá (Roma, 1970), 154, citado em Gatti, 150-151. Bergler também observa que presencia-se
no homossexual sempre uma certa forma de imaturidade psicossexual, a “ausência da progressão rumo à maturidade. A base infantil
do homossexual não é suficientemente elástica para permitir essa progressão. A mesma atitude estática, infantil, pode ser observada
nas conversas semifrívolas, semicínicas e pseudobrincalhonas, mas completamente adolescentes, dos homossexuais, quando se
encontram reunidos”.
4 Gatti, 151.
5 E. Gius, Una messa a punto della omossesualitá (Turim, 1972), citado em Gatti, 152.
6 Gatti, 152. Ele comenta sobre a obra de Maranon, o qual observou que nenhum dos casos de homossexualidade tratados por ele
apresentava ginecomastia e nenhum dos casos de ginecomastia (desenvolvimento excessivo da glândula mamária no homem)
comportava homossexualidade. Segundo Maranon, a sexualidade dos “invertidos” na maior parte dos casos não se assemelha tanto à
sexualidade feminina quanto à infantil.
7 Ibid.
8 José M. N. Pereira, “Aconselhamento pastoral a homossexuais”, Palestra no Salão de Atos do Seminário, SALT, 04 de outubro de
2001 [VHS].
9 S. Freud, Tre saggi sulla sessualitá (Roma, Newton Compton, 1976), 26, citado em Gatti, 153. Ele afirmou que “em todos os casos
examinados, estabelecemos o fato de que os futuros invertidos [homossexuais] nos primeiros anos da infância atravessaram uma fase
de intensa mas breve fixação por uma mulher (comumente a mãe) e que, após tê-la superado, tendem a identificar-se com ela,
assumindo a si próprio como objeto sexual, isto é, partem de uma base narcisista”.
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Snoek divide os fatores determinantes em três categorias:1
1. Fisiológicos - Nenhuma das teorias (genética, hormonal, morfológica) foi comprovada
até o momento;
2. Familiares - Uma mãe dominante, juntamente com um pai apagado; uma supermãe, tão
envolvente que para o filho só existe uma mulher, que é ela; a mãe frustrada no seu relacionamento
com o marido, incutindo na cabeça das filhas que homem nenhum tem valor; um superpai que exige
uma virilidade impossível de ser alcançada pelo filho; os pais desejam um menino, mas nasce uma
menina;
3. Sociais - O unissexismo, que ocorre na forma do segregacionismo ou do igualitarismo;2
o anarquismo;3 e a sedução por adultos.4
Como Deus Considera o Homossexualismo?
Deus abençoou o homem e a mulher e lhes deu o mandamento de serem fecundos e
multiplicarem-se (Gn 1:28). O casamento é a “união de duas pessoas que originalmente foram uma,
depois foram separadas uma da outra, e agora no encontro sexual do casamento se uniram
novamente”.5 Lovelace acrescenta dizendo que “não é por acidente que toda forma de expressão
sexual fora da aliança do casamento seja explícita ou implicitamente condenada no restante das
Escrituras”.6
A sociedade atual está cada vez mais perdendo de vista o princípio que Deus definiu para a
união sexual entre os seres humanos: um homem e uma mulher, unidos pelo compromisso eterno do
matrimônio. Em virtude deste crescente desvio do padrão idealizado por Deus no princípio, é que
têm surgido todas estas anomalias sexuais descritas até aqui. Hoje já se convive até mesmo com o
“casamento” entre homossexuais e a adoção de filhos por estes “casais”.7
1 Snoek, 274-276. Um estudo detalhado sobre o homossexualismo, suas causas, os fatores determinantes e sua história dentro e fora
da Bíblia, e a visão adventista sobre este tema podem ser encontrados em: Ronald M. Springett, Homosexuality in History and the
Scriptures (Washinton, DC: Review and Herald, 1988). Ver também: Sakae Kubo, Theology & Ethics of Sex (Washington, DC:
Review and Herald, 1980), 73-86.
2 Ibid., 275. “Era o caso da Grécia antiga, onde o menino era tirado bem cedo da companhia da mãe e educado por homens. Na
história recente constatou-se um índice elevado de homossexualismo entre os ex-militantes da juventude hitlerista”.
3 Ibid. “Constata-se uma freqüência maior do homossexualismo em épocas de grande convulsão social, principalmente entre os
intelectuais anarquistas”.
4 A pederastia pode ser fatal, se houver envolvimento emocional forte e se o menor ainda não estiver bem definido sexualmente.
Segundo Pereira, existem catalogados na Polícia de Chicago cerca de 16000 pedófilos. Admite-se que aos cinco anos de idade a
estrutura hetero ou homossexual já esteja sedimentada. Ver: Snoek, 275.
5 John Stott, Homosexual Partnership’s? Why Same-Sex Relationships Are Not a Christian Option (Downers Grove, IL: Inter Varsity
Press, 1985), 15-16, citado em Davies e Rentzel, 256.
6 Lovelace, 104, citado em Davies e Rentzel, 256-257.
7 Anna P. Buchalla, “Meu pai é gay. Minha mãe é lésbica”, Veja, 11 de julho de 2001, 66. Nesta matéria, faz-se um amplo estudo
sobre a crescente adoção de crianças brasileiras por casais de homossexuais. Estima-se que “nos Estados Unidos 22% dos
homossexuais assumidos tenham a guarda de crianças. Na Dinamarca, Suécia e Noruega a lei já admite casais homossexuais,
conferindo-lhes quase todos os direitos de que gozam os heterossexuais. Na Holanda, a equiparação é total, e a certidão de
nascimento da criança adotada apresenta a filiação “mãe e mãe” ou “pai e pai”. A lei brasileira, por exemplo, permite que homens e
mulheres solteiros adotem crianças, sem fazer referência à sua orientação sexual. É nesse vácuo que gays e lésbicas conseguem um
filho.
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O propósito de Deus é que o homem junte-se com a mulher e os dois formem “uma só
carne” (Gn 2:24), constituindo-se numa família heterossexual, na qual os filhos poderão ser
educados em meio a um ambiente sadio e livre de preconceitos.1
Este ideal está totalmente corrompido na sociedade moderna, e as relações sexuais
passaram a ser apenas um meio de obter prazer a qualquer custo, sem atentar para as orientações
dadas por Deus no passado, e para os perigos de não seguir estas orientações.2 A atual sociedade já
aprendeu a conviver pacificamente com o outrora chamado “pecado grego”, vendo os homossexuais
como apenas “um pouco diferentes”.3
Portanto, Deus desaprova o homossexualismo porque ele é totalmente contrário ao
propósito original das relações sexuais: procriação e/ou prazer.4 Segundo Boice, apenas em se olhar
para a anatomia dos órgãos sexuais do homem e da mulher já deveria haver argumento suficiente
para convencer de que as práticas homossexuais não são normais.5 Tanto o Judaísmo quanto o
Cristianismo sempre reconheceram esse fato, defendendo que o homossexual está sob a condenação
de Deus.6
Há “Cura” Para o Homossexualismo?
Após verificar que o homossexualismo está arraigado fortemente na sociedade moderna,
faz-se necessário apresentar ao portador deste desvio da sexualidade um meio de regeneração e
retorno ao ideal divino. A terapia de aconselhamento para o homossexual consiste em “escutar a
quem pede ajuda, a fim de facilitar-lhe a decifração, por ele mesmo, de seu próprio discurso...
levando a uma convivência mais saudável consigo mesmo e, em vários casos, chega-se à
heterossexualidade”.7
Talvez o maior problema a princípio seja romper as barreiras da solidão e da
incomunicabilidade que a sociedade erige em relação aos homossexuais.8 Gatti defende que o ponto
de partida deve ser a total aceitação do homossexual como pessoa, a plena compreensão de seu
drama, e a mais leal solidariedade a seus sofrimentos e a seus problemas.9 Para o auxílio pastoral ao
homossexual são sugeridos os seguintes passos:10
1. Reconhecimento e confissão de que sua atitude e conduta são errados;
1 Ibid., 68. Em famílias de homossexuais, as crianças sofrem uma pressão muito grande dos colegas, que muitas vezes é-lhes
traumático para toda a vida. Buchalla cita casos de filhos de homossexuais que tiveram de mudar de escola ou mentir para os colegas
sobre a opção sexual dos seus “pais”. Ocorreu uma verdadeira reviravolta na psicologia infantil concernente a este assunto, pois até
pouco tempo atrás, a maioria dos profissionais dessa área recomendava que se escondesse tudo dos pequenos, mas, agora, afirmam
que quanto mais cedo a criança souber, mais fácil será para ela assimilar a notícia e encarar as manifestações preconceituosas. Isto
mostra o quanto o desejo inicial de Deus para um lar heterossexual já está longe da realidade vivida atualmente pela sociedade.
2 Uma pesquisa realizada pelo Hospital Gaffré e Guinle (Rio de Janeiro/RJ), um centro nacional de referência em AIDS, revelou que
em mais da metade dos 662 casais entrevistados, os maridos são bissexuais. Segundo o Dr. Carlos Alberto Morais de Sá, “talvez isto
explique por que o Brasil tem um dos maiores índices de contaminações entre heterossexuais masculinos”. Ele afirma que de 196
mulheres entrevistadas, 54% foram infectadas com o vírus da AIDS por maridos bissexuais. Hoje existem cerca de 200 mil doentes
registrados pelo Ministério da Saúde e acredita-se que haja entre 500 e 600 mil infectados em todo o Brasil. Ver: Celina Córtes,
“Sexo perigoso”, Isto É, 26 de julho de 2000, 74-75. Isto mostra porque Paulo diz em Rm 1:27 que os homossexuais receberiam em
si mesmos a punição pelo seu erro.
3 Mais de 200 mil pessoas estiveram presentes à “Parada do Orgulho Gay”, realizada em São Paulo, e que contou até mesmo com a
presença da Prefeita Marta Suplicy, que é autora de um projeto de lei para reconhecimento legal do casamento entre homossexuais no
Brasil. Ver: Tahís Oyama, “Dias alegres”, Veja, 27 de junho de 2001, 71.
4 Notas em sala de aula, Matéria Lar e Família, SALT, Cachoeira, Bahia, agosto de 2001.
5 James M. Boice, Romans (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1991), 1:181.
6 Margot J. Fromer, Ethical Issues in Sexuality & Reproduction (St. Louis, MO: C. V. Mosby Company, 1983), 92.
7 Snoeck, 281. Segundo este autor, um homossexual desejoso de mudar tem boa chance de conseguir esta mudança.
8 Gatti, 156.
9 Ibid., 155.
10 Brick Bradford e outros, Cura para o homossexual (Venda Nova, MG: Betânia, 1989), 64-67.
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2. Ele deve admitir e reconhecer seu problema;
3. Deve confessar o pecado a Deus e a um conselheiro espiritual, e depois deve pedir a
Deus que o purifique e perdoe;
4. O homossexual que busca a cura deve pedir a Deus que lhe dê um espírito de
arrependimento;
5. Pode-se considerar a possibilidade de uma libertação de demônios;1
6. O conselheiro deve repetir a promessa de que o indivíduo poderá mudar;
7. O homossexual deve concordar em submeter-se a um plano de disciplina que Deus
possa usar para concretizar a mudança desejada;
8. Entre o homossexual e o conselheiro deve haver sinceridade absoluta;
9. O homossexual deve começar a participar de uma comunidade cristã compreensiva;
10. O conselheiro deve ser paciente.
Para o homossexual, como para qualquer outro homem, no fim é apenas a graça do
Espírito Santo, com Seus misteriosos dinamismos, que é capaz de tornar a cura do homossexual
possível. Acima de todos os meios educativos e terapêuticos, é sempre na graça de Deus que o
homem pecador deve confiar.2
O Dr. José Maria concorda com o pensamento de que a igreja deve ser o conduto para a
ajuda aos homossexuais que desejarem um retorno aos desejos sexuais naturais de cada ser humano.
Ele afirma que “a igreja será o último reduto para a consolidação dos conceitos familiares” nos
próximos anos.3
Resumo e Conclusão
O homossexualismo está presente na história humana desde o seu princípio. Biblicamente,
encontram-se referências à homossexualidade já no relato de Sodoma e Gomorra (Gn 19:4-5), de
onde advém o termo “sodomia” como referência à homossexualidade e outras anomalias do gênero;
bem como no período dos Juízes (Jz 19:22). Moisés também fez referências a esta prática sexual
entre o povo de Israel (Lv 18:22; 20:13), condenando-a e considerando-a abominável aos olhos de
Deus, punível mesmo com a morte.
No Novo Testamento, a referência clássica à homossexualidade, tanto feminina quanto
masculina, encontra-se na epístola de Paulo aos Romanos (Rm 1:26 e 27). Porém, o apóstolo
também faz outras referências à condenação divina sobre esta prática (1Co 6:9-10; 1Tm 1:9-11).
O presente trabalho analisou o texto de Romanos, observando a quase unanimidade entre
os teólogos e comentadores de que Paulo realmente referia-se na passagem em estudo ao
homossexualismo. Porém, é crescente o grupo de eruditos que não aceitam esta interpretação usual,
e tentam reinterpretar as declarações paulinas, aplicando-as aos dias atuais, onde a
homossexualidade tornou-se já parte comum do cotidiano das grandes cidades.
Através dos estudos e pesquisas científicas consultadas, verifica-se que é reduzida a
probabilidade de que as tendências homossexuais sejam o resultado de uma “deformação genética”
ou algum caractere hereditário. Ao contrário, é grande o número de estudiosos da psicologia
humana que acreditam que este comportamento sexual advém de fatores psicossociais vividos na
1 Vê-se por este conselho que alguns teólogos e pastores vêem no homossexualismo o possível resultado da possessão demoníaca.
2 Gatti, 159.
3 José M. N. Pereira, “Aconselhamento pastoral a homossexuais”, Palestra no Salão de Atos do Seminário, SALT, 04 de outubro de
2001 [VHS]. Ele sugere os seguintes passos para o aconselhamento de homossexuais que estejam integrados a alguma comunidade
religiosa: 1. Mostrar-lhes a necessidade da atuação do Espírito Santo em todo o processo; 2. Perseverança em continuar as reuniões;
3. Não colocar o homossexualismo como sendo o “centro” do problema, pois ele é apenas a “periferia” do desajuste; 4. O
homossexual deve admitir a sua cumplicidade na situação, não se colocando sempre no lugar de vítima; 5. Não entrar em detalhes
sobre o relacionamento sexual do homossexual e seu (sua) parceiro(a); e 6. Utilizar o conhecimento da graça divina em benefício do
pecador arrependido.
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infância (até os 5 anos de idade, principalmente), e que acarretam traumas e complexos que podem
levar o indivíduo a desenvolver o homossexualismo durante sua vida.
Apesar de Deus condenar este comportamento anômalo, em virtude de desvirtuar-se do
Seu propósito para o relacionamento sexual e matrimonial, Ele concede ao homossexual desejoso
de regenerar-se uma opção de cura, que está disponível através de Sua infinita graça e misericórdia
pelas mazelas que atingem a humanidade.
Como representantes de Deus e instrumentos Seus para distribuição de Sua graça ao
mundo pecador, os cristãos não devem olhar o homossexualismo como uma doença típica de
pessoas “despudoradas”; mas devem encarar o homossexual com o mesmo amor fraternal e
solidariedade que Jesus demonstrou em Seu convívio com o ser humano.
Resta ao homossexual cristão, desejoso(a) de orientar sua sexualidade segundo os ditames
divinos, atentar ao conselho do próprio apóstolo Paulo: “Tudo posso, nAquele que me fortalece” (Fp
4:13).

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