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quinta-feira, 23 de maio de 2013

A besta de Apocalipse 17: uma sugestão

Ekkehardt mueller, D. Min. e Ph.D.


Diretor associado do Biblical Research Institute da Associação Geral da IASD, Silver Spring, Maryland,
EUA

Resumo: A ênfase deste artigo se concentra
num estudo teológico e estrutural
do Apocalipse 17, uma seção da literatura
bíblica considerada um crux teológico.
Precisamente por seu caráter e linguagem
enigmáticos, a besta aqui descrita tem
sugerido uma enorme variedade de alternativas
interpretativas. O autor apresenta
a sugestão que ele considera uma “opção
viável”, uma vez que ela “segue os princípios
de interpretação encontrados nas
próprias Escrituras”.
Abstract: This article deals with the
theology and structure of Revelation 17, a
section of the biblical literature considered
a theological crux. Precisely as a result of
its enigmatic character and language, the
beast described here has generated an enormous
variety of interpretation. The author
presents his interpretative suggestion, which
he considers an “viable option”, since
it “follows principles of interpretation that
are found in Scriptures”.
Introdução
Apocalipse 17 é um dos capítulos mais
difíceis do Novo Testamento e tem recebido
muitas interpretações diferentes.1 O
presente artigo considera a besta sobre a
qual está montada a prostituta babilônica.
Apocalipse 17:7-8: “O anjo, porém, me
disse: Por que te admiraste? Dir-te-ei o
mistério da mulher e da besta que tem as
sete cabeças e os dez chifres e que leva a
mulher: a besta que viste, era e não é, está
para emergir do abismo e caminha para a
destruição. E aqueles que habitam sobre a
terra, cujos nomes não foram escritos no
Livro da Vida desde a fundação do mundo,
se admirarão, vendo a besta que era e não
é, mas aparecerá.” Informações adicionais
sobre a besta são fornecidas no restante de
Apocalipse 17.
Os pontos em debate
Antes de estudarmos mais deta-lhadamente
Apocalipse 17, algumas perguntas
básicas precisam ser respondidas: (1) É a
besta que subiu do mar de Apocalipse 13


idêntica à besta de Apocalipse 17 ou a besta
de Apocalipse 17 representa um poder diferente?
(2) Qual é a disposição de tempo da
visão? Descreve João os eventos partindo
de uma perspectiva do primeiro século d.C.,
ou o ponto de referência a ser encontrado é
posterior e João é colocado ali em espírito?
(3) É a descrição da besta de Apocalipse

17:8 – “era e não é, e há de emergir do abismo,
e caminha para a destruição” – paralela
à descrição dos chifres do verso 10, que diz
“caíram cinco, um existe, e o outro ainda
não chegou”, ou estes diferentes estágios
da besta não coincidem diretamente com
a subdivisão das cabeças?2 (4) Como as
cabeças devem ser interpretadas? Volvernos-
emos brevemente para estas perguntas
e proporemos algumas respostas.
A besta de Apocalipse 17, bem como
as cabeças, têm sido compreendidas diferentemente
por eruditos bíblicos dentro da
Igreja Adventista. O The Seventh-day Adventist
Bible Commentary enumera várias
opiniões, mas não é dogmático acerca de
nenhuma delas: (1) Alguns adventistas
sustentam que a fase “era” da besta representa
Roma pagã, a fase “não é”, o
ínterim entre Roma pagã e Roma papal,
32 / Parousia - 1º semestre de 2005
e a fase “aparecerá”, Roma papal.3 (2)
“Outros equiparam o período ‘era’ com
aquele representado pela besta e suas sete
cabeças; o período ‘não é’ com o intervalo
entre o ferimento da sétima cabeça e o
reavivamento da besta como ‘o oitavo’;
e o período ‘ainda é’ com o reavivamento
da besta quando ela se tornar ‘o oitavo.’”.4
Neste caso o período “era” provavelmente
representaria Roma papal e a fase “aparecerá”
simboliza a sua restauração após a
cura da ferida mortal.
As cabeças são compreendidas por
alguns como “toda oposição política ao
povo e à causa de Deus”.5 Uma outra sugestão
é interpretar as cinco cabeças como
os animais de Daniel 7 mais o chifre pequeno,
isto é, os impérios desde Babilônia
ao papado, sendo a sexta cabeça a besta
que sobe do abismo (Ap 11), ou seja, a
Revolução Francesa, e a sétima cabeça, a
besta que subiu da terra (Ap 13), a saber,
os Estados Unidos da América. Ainda outra
proposta considera as cinco primeiras
cabeças como os impérios Egito, Assíria,
Babilônia, Medo-Pérsia e Grécia; a sexta
cabeça como Roma pagã; e a sétima como
Roma papal.6 A diferença entre a segunda
e a terceira opinião sobre as cabeças é que
a segunda coloca a sexta cabeça no ano de
1798 d.C., ao passo que no terceiro ponto
de vista, a sexta cabeça representa o tempo
em que João vivia, ou seja, o primeiro
século. Essas sugestões compreendem as
sete cabeças como sendo grandes poderes,
mas outros expositores as tomam como
governantes individuais.7 Outros autores
- especialmente adventistas8 - comentam
que as cabeças/reis/montanhas (Ap 17:9)
representam reinos e não reis individuais.9
Esse é o caso do livro de Daniel. “As quatro
bestas de Daniel 7 são mancionadas
como representando quatro reis (Dn 7:17)
quando, mais precisamente, Daniel qier
dizer que sejam reinos sobre os quais eles
governam”10.
Outro assunto é a íntima semelhança
entre a besta de Apocalipse 13 e 17.
Conquanto a besta que subiu do mar de
Apocalipse 13 e a besta de Apocalipse 17
tenham alguns elementos em comum, há
também importantes diferenças. Os elementos
em comum são: ambas têm sete
cabeças e dez chifres (Ap 13:1; 17:7). A
besta que subiu do mar tem “uma boca que
profere... blasfêmias” (Ap 13:5), enquanto
que a outra besta está “repleta de nomes de
blasfêmia” (Ap 17:3). Ambas são poderes
que se opõem a Deus, a Jesus e aos santos
(Ap 13:6-8; 17:14). As diferenças também
são notáveis: a besta que subiu do mar tem
diademas sobre seus chifres (Ap 13:1); já
a besta de Apocalipse 17 não tem nenhum
diadema. A cor da besta que subiu do mar
não é mencionada, mas a cor da outra besta
é escarlate (Ap 17:3). A besta que subiu
do mar sai do mar (Ap 13:1), mas a besta
sobre a qual Babilônia se assenta sobe do
abismo (Ap 17:8). Isto sugere que estas
bestas simbolizam entidades diferentes,
embora elas partilhem algumas características
e persigam objetivos semelhantes. É
necessário ter em mente que há elementos
comuns entre o dragão de Apocalipse 12
e a besta de Apocalipse 17, como as sete
cabeças e os dez chifres (Ap 12:3; 17:7),
uma cor semelhante (Ap 12:3; 17:3) e a
oposição a Jesus e a seu povo (Ap 12:4-
17; 17:14), e não apenas entre a besta que
sobe do mar de Apocalipse 13 e a besta de
Apocalipse 17.
A descrição da besta de Apocalipse 17
como “era e não é, está para emergir” relembra
ao estudante do Apocalipse de Deus o Pai,
que é chamado como “aquele que era, que
é e que há de vir” (Ap 4:8, cf. 1:4, 8) assim
como em relação a Jesus que vez após outra
prometeu que retornaria (cf. Ap 22:12). Isso
retrata a besta de Apocalipse 17 como uma
contrafação, paródia e oposição a Deus.11
“A besta aspira ser como Deus...”.12 Ao
final ela não perdurará, mas será derrotada.
Cristo e seus seguidores triunfarão.
O abismo
No Apocalipse, o abismo do qual a
besta sobe é mencionado sete vezes: (1) Em
Apocalipse 9:1 a estrela que cai do céu tem
a chave do abismo. (2) Em Apocalipse 9:2
essa estrela abriu o poço do abismo. (3) Em
Apocalipse 9:11 o rei dos gafanhotos é o
anjo do abismo chamado Apoliom. (4) Em
A besta de Apocalipse 17 uma sugestão / 33
Apocalipse 11:7 a besta que sobe do abismo
mata as duas testemunhas. (5) De acordo
com Apocalipse 17:8 a besta sobre a qual
a grande prostituta se assenta “era e não
é, está para emergir do abismo, e caminha
para a destruição”. (6) Em Apocalipse 20:1
um anjo desce do céu com a chave do abismo.
(7) Finalmente, em Apocalipse 20:3
esse anjo amarra Satanás no abismo por mil
anos. Depois desse período, Satanás será
solto. Quatro destas referências pertencem
à parte histórica do Apocalipse13, e todas
são encontradas na visão das trombetas (Ap
8:2-11:18).As quatro primeiras são partes
da visão da trombeta (Ap 8:2-11:18). Por
outro lado o mar não está ligado ao abismo
em Apocalipse.14
A estrela cadente mencionada em Apocalipse
9:1-2, que é capaz de abrir o poço do
abismo e produzir calamidade, sofrimento e
tortura, deve ser identificada como Satanás.
Em Jó 38:7, os filhos de Deus, seres celestiais,
são chamados estrelas da manhã. Uma
estrela da manhã cadente ocorre em Isaías
14:12. Por trás do rei de Babilônia é mencionado
alguém muito superior a ele – Satanás,
a verdadeira estrela da manhã cadente. De
acordo com Lucas 10:18, Jesus viu Satanás
caindo do céu. Em Apocalipse, estrelas,
quando usadas simbolicamente, se referem
(1) aos anjos das sete igrejas, provavelmente
líderes e ensinadores religiosos (Ap 1:20),
e (2) a seres celestiais, tais como Jesus, a
resplandecente estrela da manhã (Ap 22:16),
ou a anjos caídos (12:4, 9). Em Apocalipse
9:1 ouvimos acerca de uma estrela cadente;
segundo Apocalipse 8:10, é uma grande
estrela cujas ações produzem efeitos negativos.
Parece melhor compreender essa estrela
como Satanás, que, segundo Apocalipse
12:7-9, foi expulso do Céu.
Obviamente, o rei dos gafanhotos e anjo
do abismo de Apocalipse 9:11, também
chamado Abadom/Apoliom ou destruidor,
é a estrela cadente, Satanás. Seu exército
demoníaco ataca a humanidade.
Em Apocalipse 11:7, a besta que sobe
do abismo e que por meio da Revolução
Francesa15 mata temporariamente as duas
testemunhas de Deus que representam o
Antigo e o Novo Testamento, é novamente
Satanás.16 Não há nenhuma razão para se
ligar o abismo de Apocalipse 11, parte da
mesma visão das trombetas, com outra
pessoa.
Todavia, em Apocalipse 20:1-3 ocorre
a grande inversão. O poder de Satanás para
abrir o abismo lhe é tirado. Esse poder lhe fora
dado por Deus (Ap 9:1) que está sempre no
controle. Agora o próprio Satanás é amarrado
por um anjo e confinado ao abismo por mil
anos. Parece que Apocalipse 17:8 aponta
para esta mesma situação e que Apocalipse
20:1-3 esclarece as palavras simbólicas a
respeito da besta de Apocalipse 17. A besta
que “era e não é, está para emergir do abismo,
e caminha para a destruição” é Satanás, que
em Apocalipse 12 foi apresentado como o
grande dragão vermelho.17
Evidentemente, todas as referências ao
abismo em Apocalipse tem a ver com Satanás.
O termo é encontrado em dois outros
lugares no Novo Testamento. Em Romanos
10:7, o abismo pode ser o reino dos mortos.
Mas em Lucas 8:31, os demônios pedem a
Jesus para não serem enviados ao abismo.
Novamente isso está ligado a instrumentos
satânicos. Portanto, sugerimos compreender
a besta sobre a qual Babilônia se assenta
como Satanás que opera através de poderes
políticos.18
Contexto e disposição do tempo
em Apocalipse 17
O livro de Apocalipse pode ser dividido
em duas grandes partes. A primeira parte
(Ap 1-14) consiste de várias séries históricas
de eventos que abrangem desde o tempo
de João até à consumação final. A segunda
parte (Ap 15-22) lida somente com eventos
do fim do tempos e tem sido chamada de
a parte escatológica. Enquanto o dragão e
a besta que subiu do mar são encontrados
na seção histórica do Apocalipse, a besta
de Apocalipse 17 pertence à seção do final
do tempos. Portanto, devem ser esperadas
diferenças entre estas duas bestas.
Por outro lado referências recorrentes a
certos símbolos encontrados na mesma parte
de Apocalipse são especialmente importantes
e esclarecem a sua interpretação.
34 / Parousia - 1º semestre de 2005
Apocalipse 15 e 16 contêm as sete
últimas pragas. A sexta praga descreve
a secagem do rio babilônico Eufrates, a
vinda dos reis do oriente (a saber, Jesus
e Sua hoste celestial) e o Armagedom. A
sétima praga descreve o julgamento de
Babilônia e o tempo em que ela se divide
em três partes. De Apocalipse 17 em diante
esse juízo é descrito em mais detalhes.
É evidente a conexão das pragas com os
capítulos subseqüentes. Em Apocalipse
17:1, um dos anjos que tinham as sete
taças apresenta a João o julgamento da
meretriz Babilônia, que é descrita nos capítulos
17-19, ao passo que o julgamento
da besta do abismo que conduz a meretriz
segue-se em Apocalipse 20. O outro anjo
dos que tinham as sete taças apresenta
então a João a noiva do Cordeiro, a Nova
Jerusalém, de uma maneira mais detalhada
(Ap 21:9-22:6). Apocalipse 17:8-12 deve
ser interpretado neste contexto.
Esboço de Apocalipse 17
1. Narrativa: João é abordado
por um dos anjos que tinham
as sete taças (1a)
Discurso do anjo:
Discurso 1 (1b-2): Julgamento da meretriz.
2. Narrativa: João é levado ao
deserto (3a)
Visões:
Visão 1 (3b-5): A prostituta sobre a
besta com sete cabeças e dez
chifres como a mãe das meretrizes,
a grande Babilônia.
Visão 2 (6a): A prostituta e os santos.
3. Narrativa: João se admira (6b)
Discursos do anjo:
Discurso 2 (7-14): A besta, as cabeças,
os chifres e sua futura batalha
contra o Cordeiro e os fiéis.
Discurso 3 (15-18): As águas, a batalha
dos chifres da besta contra a
prostituta, a meretriz como a
grande cidade.
Na literatura apocalíptica, tal como
Daniel, uma visão é freqüentemente seguida
por uma explicação (cf. Dn 7:1-15
e 7:16-28 ou Ap 1:16 e 1:20). Depois de
um discurso angélico inicial no começo
de Apocalipse 17 encontramos duas pequenas
visões seguidas por dois discursos
mais longos. Em seu discurso inicial, o
anjo promete a João que o julgamento da
meretriz lhe será revelado. Todavia, as duas
breves visões posteriores (Ap 17:3b-5 e
Ap 17:6a) não focalizam o julgamento,
mas apresentam a besta com sete cabeças
e dez chifres. Contudo, os dois discursos
angélicos seguintes não apenas explicam os
poderes antes mencionados, mas também
fornecem detalhes sobre o julgamento
mencionado no primeiro discurso angélico.
Provêem informação adicional não contida
em nenhuma das duas visões. Portanto,
estes discursos angélicos não são apenas
um explicação das visões, mas fornecem
novas idéias.
Existem outras relações entre as visões
1 e 2 e os discursos 2 e 3 além da besta,
suas cabeças e seus chifres. A primeira
visão enfatiza a meretriz como “Babilônia,
a Grande”, enquanto que o último discurso
a chama de “a Grande Cidade”. Na segunda
visão os santos são perseguidos e no
segundo discurso os crentes triunfam com
o Cordeiro.
As duas visões de Apocalipse 17:3b-
6a descrevem a mulher/prostituta e suas
atividades no tempo histórico (cf. 17:4 e
14:8), mas não descrevem ainda o clímax
escatológico. Por outro lado, nos discursos
identificam os diferentes poderes
apresentados no início do capítulo 17 (com
exceção da besta) e retratam a besta e os
chifres em sua batalha final contra o Cordeiro,
e em sua batalha contra a meretriz,
que é o seu julgamento. Os aliados da
meretriz se voltarão contra ela e a destruirão.
Assim o julgamento da meretriz não é
encontrado nas cenas da visão mas apenas
na apresentação, mencionada no primeiro
discurso e exucutada no último discurso.
Além disso, o julgamento da besta é indicado
no segundo discurso (17:8 , 11) que
nãohavia sido mencionado no primeiro
A besta de Apocalipse 17 uma sugestão / 35
discurso angélico. As visões referen-se a
eventos anteriores ao julgamento da meretriz.
Após isso os aliados da meretriz se
voltarão contra ela e a destruirão. A besta
também será destruída. Os três discursos
tratam de julgamento. No entanto com
relação aos detalhes sobre a besta, está à
parte a descrição da besta que “era”, “não
é”, e “caminha para a destruição” e que
não são mencionadas mas reservadas para
o final.
Com respeito às atividades do fim do
tempos, há uma ênfase mais forte sobre os
chifres e a besta do que sobre as cabeças. As
cabeças não são diretamente mencionadas
como estando envolvidas na batalha final.
Isto pode indicar que as cabeças estão mais
relacionadas com o fluxo da História e,
talvez, com a própria meretriz, ao passo
que os chifres em combinação com a besta
desempenham um papel importante na batalha
final contra Jesus e na batalha contra a
meretriz. Parece também evidente quando
olha-se o uso dos tempos e dos indicadores
em relação a aparência dos chifres. Vários
verbos empregando o tempo futuro descrevem
as atividades dos chifres, que irão obter
poder apenas no futuro, em colaboração
com a besta “por uma hora”. Esses chifres
atingirão o poder no futuro e colaborarão
com a besta “por uma hora”.
Duas observações adicionais estão em
ordem. Todavia, antes de nos volvermos a
elas, é apresentado o seguinte esboço que
focaliza os discursos 2 e 3 de uma maneira
mais detalhada.
O segundo e o terceiro discursos
angélicos
1. Segundo discurso do anjo (7-14):
Introdução (7)
a. A besta (8-9a)
Que viste
b. As cabeças (9b-11)
As cabeças são sete montes e
sete reis.
c. Os chifres (12-14)
Que viste
Os chifres são dez reis.
2. Terceiro Discurso do Anjo (15-18)
a. As águas (15)
Que viste
As águas são povos, e multidões,
e nações, e línguas
b. Os dez chifres e a besta (16-17)
Que viste
c. A prostituta (18)
Que viste
A prostituta é a grande cidade.
O segundo discurso angélico contém
(1) informação a respeito da besta, (2) a
identificação das cabeças e informações
adicionais e (3) a identificação dos chifres
e informações adicionais com uma forte
ênfase nas atividades futuras. O terceito
discurso angélico contém (1) a identificação
das águas, (2) a informação sobre as
atividades futuras dos chifres e da besta e
(3) a identificação da meretriz.
A meretriz, as águas, as cabeças e os
chifres são identificados. Em cada caso
é usada a frase “as (a)... são/é...” A única
entidade que não é diretamente identificada
é a besta (Ap 17:8-9a). Há uma outra seção
no terceiro discurso angélico que lida com
a besta e os chifres, em que está faltando
uma identificação (17:16-17). Mas os
chifres já foram explicados previamente.
Portanto, é outra vez a besta que não está
explicada, embora ouçamos sobre suas
atividades. Esse fato pode ser importante
para a interpretação da passagem. Enquanto
o julgamento da meretriz é descrito com
numerosos detalhes em Apocalipse 17-19,
o julgamento da besta é encontrado em
Apocalipse 20.
Enquanto a besta é assinalada como o
símbolo que não é explicado, as cabeças
são indicadas de outra maneira. O segundo
discurso lida com a besta, as cabeças e os
chifres; o terceiro com as águas, os chifres,
a besta e a mulher/prostituta. Nestas seis
36 / Parousia - 1º semestre de 2005
seções, cinco vezes é aplicada a frase “que
viste”. Ela é encontrada em todas as entidades,
exceto as cabeças. Isto pode ou não
ser uma coincidência. Em qualquer caso,
quando tentamos identificar os poderes de
Apocalipse 17 em termos específicos, são
as cabeças que formam o ponto de partida.
Falta a fórmula “que viste” e são dessa forma
diferentes de todas as outras entidades.
Assim encontraste com a besta, elas são c
aracterizadas por dois simbolos adicionais
(montanhas e reis). Dessa forma, o esboço
de Apocalipse 17 pode nos mostrar o papel
crucial que as cabeças desempenham ao
se interpretar os símbolos desse capítulo.
Cinco das cabeças já caíram, uma existe.
A frase “um existe” de uma maneira ou de
outra deve relacionar-se com João. Há um
tempo específico em que João se encontra
e em que uma das sete cabeças também
“existe”. Então a questão é se esse tempo
é o primeiro século d.C., quando João vivia
ou se ele se refere ao tempo dos eventos que
lhe foram mostrados em visão.
Como encontramos a frase “um existe”
relacionada às cabeças, assim encontramos a
expressão “e não é” relacionada com a besta.
A besta era, não é, subirá do abismo e irá
à perdição. A besta é descrita similarmente
três vezes em Apocalipse 17:8 e 11:
1. Era E NÃO É
e está para emergir do abismo
E CAMINHA PARA A DESTRUIÇÃO
2. Era E NÃO É
mas aparecerá
3. Era E NÃO É,
e é o oitavo
e procede dos sete,
E C A M I N H A PA R A A
DESTRUIÇÃO
Como “um existe” (a sexta cabeça)
se relaciona com o tempo de João, quer
seja no primeiro século, quer seja em um
tempo posterior na visão, a frase “não é”
(usada em relação à besta) poderia também
relacionar-se com a época de João e, portanto,
com a época passada mais do que
com um evento futuro. Tal conclusão tem
fundamento? Cremos que não.19 (1) Embora
ambas as frases usem o tempo presente,
é difícil conceber que, ao mesmo tempo, a
besta “não é” e uma de suas cabeças “é”.
(2) A besta não está identificada. Declarações
relacionadas com a besta a retratam
da perspectiva do fim do tempo e apontam
para o seu futuro julgamento. Portanto,
a frase “não é” não liga necessariamente
esse período ao tempo de João. (3) A fase
“não é” pode ser compreendida como um
desenvolvimento futuro, porque o tempo
presente com freqüência representa o futuro
(veja, por exemplo, Apocalipse 17:11-13;
16:15). Além disso, a frase “e caminha
para a destruição” na mesma sentença é
também usada no tempo presente, embora
se relacione ao fim da besta. Até mesmo a
frase “está para emergir do abismo” emprega
o tempo presente mesmo tendo sido
traduzida para o português como o tempo
futuro.20 Que a besta não é identificada
e que as cabeças são assinaladas podem
apontar para o fato de que a besta deve
ser compreendida principalmente de uma
perspectiva futura, ao passo que as cabeças
contêm o segredo para desvendar Apocalipse
17. (4) A segunda parte de Apocalipse
17:8 parece ligar as fases “não é/aparecerá”
da besta aos habitantes da Terra. Contudo,
este é um desenvolvimento apenas futuro,
muito provavelmente relacionado com as
últimas horas deste mundo.21 (5) Como
o Livro de Apocalipse interpreta a futura
ascensão da besta do abismo? Resposta:
ele a descreve em Apocalipse 20 como a
libertação de Satanás da prisão do abismo.
Em outras palavras, a fase que lida com a
besta subindo do abismo e sua subseqüente
destruição retratam eventos posteriores
ao milênio. Então a fase “não é” deve ser
compreendida como o tempo durante o milênio.
A primeira fase, descrevendo a besta
como “era”, refere-se ao tempo histórico e
termina com o início do milênio. É o tempo
que aponta para a atividade de Satanás
durante a história humana até a Segunda
Vinda de Cristo. As cabeças basicamente
seriam derrubadas nesse tempo, ao passo
A besta de Apocalipse 17 uma sugestão / 37
que os chifres parecem entrar em cena
apenas bem no final do tempo. Contudo, o
enfoque especial de João é sobre o julgamento
e, assim, sobre eventos que ocorrem
em combinação com a Segunda Vinda de
Cristo e depois dela.
A Besta (Ap 17)
1. Era.
2. E não é.
3. Está para emergir do abismo.
4. E caminha para a destruição.
Satanás (Ap 20)
1. Ele existiu e atuou (Ap 12).
2. Ele foi aprisionado no abismo; não podia
mais enganar a ninguém (Ap 20:1-3).
3. Após o milênio, ele é solto, reúne os
oponentes de Deus ressurretos e ataca a
Cidade Santa (Ap 20:7-9).
4. Após o milênio, será lançado no lago
de fogo e perecerá (Ap 20:9-10)
As sete cabeças são divididas em três
segmentos, sendo adicionada uma oitava
cabeça: (a) cinco já caíram, (b) um existe,
(c) outro ainda não chegou, e (d) o oitavo
é a besta. Embora seja tentador associar
as fases da besta com a divisão das cabeças,
o texto não exige tal procedimento.
Se as fases da besta e a subdivisão das
sete cabeças são compreendidas como
paralelas, então a fase “não é” da besta
corresponderia ao período “um existe”
das cabeças. Caso seguíssemos a sugestão
acima concernente à besta do abismo,
tal abordagem seria impossível, uma vez
que se o paralelismo fosse requerido, um
rei/reino precisaria sobreviver durante o
milênio, a fase durante a qual a besta “não
é”. Mas isto é excluído por Apocalipse 19
e 20. Além disso, como poderia a besta
estar na condição “não é”, enquanto uma
de suas cabeças “existe”? Portanto, parece
melhor não tomar as fases da besta e os
segmentos das cabeças como descrições
paralelas.22
Uma compreensão natural de Apocalipse
17:10, “e são também sete reis, dos
quais caíram cinco, um existe, e o outro
ainda não chegou; e, quando chegar, tem
de durar pouco” parece sugerir que no
tempo em que João escreveu o livro do
Apocalipse, cinco reinos tinham caído e
o sexto estava reinando.23 As duas visões
de Apocalipse 17:3-6 não lidam com essa
situação, nem nos dizem que João foi
transportado a um outro tempo durante a
apresentação dos eventos de Apocalipse
17:7-18. Obviamente, João viveu durante o
período da sexta cabeça. Além disso, o livro
do Apocalipse foi primariamente dirigido
a cristãos que viviam no primeiro século.
Provavelmente, eles teriam compreendido
o verso 10 de tal maneira que a sexta cabeça
se referisse ao tempo em que eles estavam
vivendo. Se admitirmos que a sexta cabeça
não estava reinando quando o Apocalipse
foi escrito e que João foi levado para outro
tempo – mesmo que Apocalipse 17:10
seja parte de uma apresentação e não de
uma visão – então não seremos capazes de
chegar a qualquer interpretação definitiva
de Apocalipse 17, porque não há nenhuma
maneira de determinar em que tempo João
foi transportado, quer seja nos primeiros
séculos d.C., nos tempos medievais, diretamente
depois de 1798, ou em um tempo
posterior a esses. Mas, então, tal profecia
contendo declarações cronológicas não
faria sentido. Jon Paulien declarou um
princípio importante para a interpretação
da literatura apocalíptica:
Em uma visão, o profeta pode viajar da Terra
ao Céu e vaguear de um lado para outro do passado
para o fim do tempo. A visão não está necessariamente
localizada no tempo e lugar do profeta.
Mas quando a visão é posteriormente explicada ao
profeta, a explicação sempre vem no tempo, lugar
e circunstâncias do que tem a visão.24
Segundo este princípio, a explicação das
cabeças é decisiva. Localiza a sexta cabeça
no primeiro século d.C. Escreve Kenneth A.
Strand sobre a besta e as cabeças:
Procurar um cumprimento na História, por
exemplo, para a fase ‘não é’ da besta do capítulo
17, quando esta fase é obviamente uma
visão do Julgamento, é ilógico. Ou tratar todo o
capítulo 17 inteiro como tendo um cumprimento
histórico, ao invés de escatológico, é deixar de
38 / Parousia - 1º semestre de 2005
compreender o próprio desígnio do capítulo e de
toda a segunda parte do Livro do Apocalipse, no
qual ele ocorre. Isto não é afirmar, porém, que
não há absolutamente nenhum reflexo histórico
no capítulo 17. A explicação das sete cabeças e
dez chifres, por exemplo, deve ser do ponto de
vista de João e do tempo em que ele escreveu.
Afinal, como pode uma explicação ser dada a não
ser em termos do que existe, mesmo que a própria
visão seja a partir da perspectiva do julgamento
ecatológico, quando a besta “não é”? Em outras
palavras, conquanto João veja a visão da fase “não
é” (julgamento), as cabeças e chifres são entidades
históricas pertencentes à fase “era”.25
Interpretação Sugerida
A Besta
Já havíamos sugerido que a fase “era”
da besta se refere ao tempo histórico.26 Durante
esse tempo Satanás estava e está em
atividade por meio de diferentes agentes.
O tempo termina com a Segunda Vinda de
Jesus Cristo, e, em conexão com ela, Satanás
é aprisionado no abismo, entrando na
fase “não é”. Depois do milênio, Satanás é
solto do abismo, e se torna ativo conforme
descrito em Apocalipse 20. Como tal, ele
é o oitavo e procede dos sete, mas será
julgado e destruído por Deus.
As Cabeças
No tempo de João, cinco cabeças
tinham caído e uma existia. A cabeça
existente era o Império Romano. Os cinco
reinos precedentes começaram com o
Egito e continuaram com a Assíria, Babilônia,
Medo-Pérsia e Grécia.27 Embora
isto possa ser deduzido logicamente, uma
vez que o reino existente no tempo de João
é identificado, há informação adicional encontrada
em Apocalipse que aponta para o
Egito como o primeiro império. O Egito é
mencionado nominalmente em Apocalipse
11:8. Conquanto esse Egito seja um Egito
simbólico, porque é dito que ali o Senhor
foi crucificado, ele ainda nos faz lembrar
do antigo império dos faraós. É o mais antigo
império mencionado em Apocalipse.
Além disso, Strand mostra que as primeiras
cinco trombetas e as primeiras cinco pragas
seguem o mesmo padrão das pragas egípcias.
Portanto, ele fala acerca do “tema do
êxodo do Egito” em Apocalipse.28 O Egito
como um império mundial foi seguido
pelos assírios. Depois deles, seguem-se
os reinos conhecidos de Daniel 2, 7 e 8.
A sexta cabeça seria o Império Romano
e a sétima, o papado. A oitava “procede
dos sete”, mas não é “um dos sete”, o que
indicaria que a besta é relacionada a todas
as sete cabeças, mas não deve necessariamente
ser identificada como sendo uma
delas. Isso é sustentado pelo fato de as sete
cabeças serem introduzidas com um artigo
definido (“as sete”, “as dez”, “o outro”),
enquanto que para a oitava cabeça falta o
artigo distinguindo-a das outras. A idéia
parece ser de que a oitava cabeça resume
todas as sete e é o seu clímax, mas não é
como as outras.29 “Essa besta não é um dos
sete reis/reinos (verso 10), mas personifica
a totalidade da maldade delas...”30
A sexta cabeça e a brevidade
do tempo
É dito da sétima cabeça que deve durar
“pouco”. Alguns têm sugerido que isto
não pode ser aplicado ao papado, porque
o papado já existe por mais tempo do que
vários dos outros reinos combinados.
A palavra oligos, “pouco”, “pequeno”,
“raro”, “curto”, é encontrada quatro vezes
em Apocalipse. Nas mensagens às sete
igrejas, ela descreve a quantidade de coisas
(Ap 2:14) e pessoas (Ap 3:4), enquanto que
em Apocalipse 12:12 e 17:10 ela se refere
ao tempo. Apocalipse 12:12 é interessante
porque o texto declara que depois da batalha
entre Miguel e Satanás, com a derrota
deste, “o diabo desceu a vós, cheio de grande
cólera, sabendo que pouco tempo lhe
resta”. Esse “pouco tempo” iniciado com
a cruz de Cristo, e que ainda permanece, já
dura cerca de dois milênios.31
A extensão de tempo expressa por oligos é
dependente daquilo com que o termo é comparado.
Em Apocalipse 12:12 oligos define o período de
tempo desde a expulsão de Satanás por ocasião
da crucifixão de Cristo até o final da tirania de
Satanás sobre os habitantes da Terra. Este período
de tempo é descrito como oligos em comparação
A besta de Apocalipse 17 uma sugestão / 39
com os mais de 4.000 anos que precederam a
crucifixão.32
Dessa forma, o “pouco [tempo]” da
sétima cabeça não exclui o papado de ser
o cumprimento da sétima cabeça.
Os Dez Chifres
Os dez chifres são poderes políticos
durante o tempo da sétima cabeça, que
apoiarão a besta (Ap 17:13). “As nações da
Terra, representadas pelos dez chifres, aqui
têm o propósito de se unir com a ‘besta’...
para forçar os habitantes da Terra a beber o
‘vinho’ de Babilônia..., isto é, unir o mundo
sob seu controle e eliminar todos os que se
recusam a cooperar....”33
Um diagrama
O diagrama abaixo é adaptado de K.
Strand,34 e resume nossa discussão, nos ajudando
a ver as relações entre as diferentes
fases e entidades da visão.
Resumo
Sugerimos que: (1) As sete cabeças
da besta representam reinos em vez de
reis individuais. Esses reinos são Egito,
Assíria, Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia,
Roma e o papado. (2) As bestas de
Apocalipse 12, 13 e 17 não representam
exatamente o mesmo poder. A besta de
Apocalipse 17 é melhor compreendida
como sendo Satanás operando por meio
de poderes políticos. Ele está ativo ao
longo da história humana, mas a ênfase
de Apocalipse 17 é sobre o período
final da história humana. (3) As fases
da besta e a subdivisão das cabeças não
são diretamente paralelas. Enquanto que
as fases da besta representam o tempo
histórico, o tempo durante o milênio
e o tempo após o milênio, as cabeças
devem ser todas posicionadas no tempo
histórico. A sexta cabeça parece referirse
ao tempo de João, isto é, o primeiro
século d.C.35
Embora Apocalipse 17 descreva poderes
malignos que se encontram muito
ativos, Deus ainda está no controle. Ele
traz juízo sobre os inimigos do Seu povo
e livra Seus santos de todas as perplexidades
e perseguições. O capítulo traz
conforto para o povo de Deus. Por outro
lado, “a idéia da iminência é expressa”.36
Dentro em breve o Senhor virá e intervirá.
“Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o
Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos
senhores e o Rei dos reis; vencerão também
os chamados eleitos e fiéis que se acham
com ele” (Ap 17:14).
40 / Parousia - 1º semestre de 2005
Referências
1 Artigo traduzido do original em inglês por Francisco
Alves de Pontes e Rita C. Timóteo Soares.
2 A fase “era” da besta seria paralela à “caíram
cinco”; a fase “e não é” correria paralelamente à
“uma existe” das cabeças e a fase “aparecerá” da
besta combinaria com “outro ainda não chegou”.
3 Veja Francis D. Nichol, ed., The Seventh-day
Adventist Bible Commentary (Washington, DC:
Review and Herald, 1957), 7:853.
4 Ibid.
5 Ibid., 854.
6 Ibid., 854-856.
7 Cf. G. K. Beale, The Book of Revelation, The
New International Greek Testament Commentary
(Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1999), 871-874.
8 Veja, por exemplo, Ranko Stefanovic, Revelation
of Jesus Christ: Commentary on the Book of
Revelation (Berrien Springs, MI: Andrews University
Press, 2002), 511-512, 515.
9 Cf. Simon J. Kistemaker, New Testament
Commentary: Exposition of the Book of Revelation
(Grand Rapids, MI: Baker, 2001), 470-472. Ele
afirma que quando a mulher é dita como sentada
sobre muitas águas (Ap 17:1, 15), sobre a besta (Ap
17:3) e sobre sete colinas ou montes (Ap 17:9), todos
estes três lugares devem ser compreendidos simbolicamente.
Portanto, os sete montes não apontam para
Roma, mas para os poderes mundiais “que têm seu
lugar na história” (471). Essa compreensão elimina
a comum identificação das cabeças com imperadores
romanos específicos – discutida por Beale, 872-
874; Kistemaker, 471-472; Robert H. Mounce, The
Book of Revelation, ed. rev., The New International
Commentary on the New Testament (Grand Rapids,
MI: Eerdmans, 1998), 315-317; e Grant R.Osborne,
Revelation, Baker Exegetical Commentary on the
New Testament (Grand Rapids, MI: Baker, 2002),
617-619. Beale, 868, demonstra que “no Apocalipse
ele [o termo grego] sempre significa ‘monte’ e é
usado figurativamente para conotar força... Esse uso
aponta além de uma referência literal aos ‘montes’ de
Roma, e a um significado figurativo como ‘reinos’,
especialmente à luz de 8:8 e 14:1... Que reis que
representam ‘reinos’ são designados é evidente de
Daniel 7:17 (os grandes animais ‘são quatro reis’) e
7:23 (‘o quarto animal será um quarto reino’).”
10 George Eldon Ladd, A Commentary on the
Revelation of John (Grand Rapids, MI: Eerdmans,
1991), 227-228.
11 Cf. Beale, 435-436; Mounce, 314.
12 Kistemaker, 469.
13 A parte histórica do Apocalipse termina com
o capítulo 14.
14 O mar é associado com Deus (Ap 4:6; 15:2)
ou mencionado em relação com a terra (Ap 5:13;
7:1, 2, 3; 10:2, 5, 6, 8; 12:12; 14:7). É o local onde
se encontram os peixes, os navios, e os marinheiros
(Ap 8:8, 9; 16:3; 18:17, 19). Estes são os usos mais
freqüentes do termo “mar”. O termo também ocorre
em outros contextos. Você pode jogar uma pedra no
mar (Ap 18:21). As multidões são como a areia do
mar (Ap 20:8). O mar deu os mortos que nele estavam
(Ap 20:13), e o mar não mais existirá na nova terra
(Ap 21:1). Em Apocalipse 12:17 Satanás pôs-se em
pé sobre o mar, e em Apocalipse 13:1 a besta emergiu
do mar. As duas últimas referências aludem às multidões
associadas com ou representadas pelo termo
“mar” (cf. Ap 17:15, onde, no entanto, “as águas”
são identificadas). Na maioria dos casos é difícil e
até mesmo impossível perceber no termo a noção de
um abismo. No entanto, é melhor mantermos os dois
termos separados.
15 Cf. Nichol, 802-803.
16 Cf. Ekkehardt Mueller, “The Two Witnesses of
Revelation 11”, Journal of the Adventist Theological
Society, 13/2 (2002), 30-45.
17 Beale, 865, mostra o paralelismo com Apocalipse
20: “A formula tríplice corresponde à carreira
de Satanás em Apocalipse 20:1-10”. Ele também
afirma na mesma página: “A origem da besta do
abismo tanto aqui [Ap 17:8a] e em 11:7, sugere que
a origem e poderes demoníacos da besta (como em
9:1-2, 11; cf. 20:1-3, 7)”. Mas ele não identifica a
besta como sendo Satanás.
18 Kistemaker, 469, ao tentar identificar a besta
de Apocalipse 17 parece vacilar entre a besta de
Apocalipse 13a e Satanás.
19 Contra Kistemaker, 419, e Mounce, 314.
20 O esquema abaixo mostra que após o imperfeito
inicial, apenas tempos presentes são usados no
grego, apontando para uma lacuna entre “era” e o resto
da descrição sugerindo que as outras frases devem
ser compreendidas como se referindo ao futuro:
A besta...era
to therion en
imperfeito
e não é
kai ouk estin
presente
e está para emergir do abismo
kai mellei anabainein ex te abussou
presente e presente infinito
e caminha para a destruição
kai eis apoleian hupagei
presente
21 “ . . . s e admi r a r ão” – t empo futur o
(Apoc.17:8).
22 Beale, 871, parece associar o fim do período
“cinco (das cabeças) caíram” com o período “não é”
da besta. No entanto, esse é o período “um existe”
das cabeças a não ser que uma lacuna seja introduA
besta de Apocalipse 17 uma sugestão / 41
zida no texto.
23 Ver Mounce, 316.
24 Jon Paulien, “The Hermeneutics of Biblical
Apocaliptic”, dissertação não publicada, 2004, 25.
25 Kenneth A. Strand, Interpreting the Book of
Revelation: Hermeneutical Guidelines, with Brief
Introduction to Literary Analysis (Worthington, OH:
Ann Arbor, 1979), 54-55.
26 Beale, 864, observa que “a existência da besta
se estende do princípio ao fim da história...”
26 Cf., K. A. Strand, “‘Victorious-Introduction’
Scenes in Symposium on Revelation: Introductory
and Exegetical Studies”, Book 1, Daniel and Revelation
Committee Series, editado por F. B. Holbrook
(Silver Springs, MI: Biblical Research Institute,
Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia,
1992), 67.
27 Essa opção é mencionada por Beale, 875: “A
tentativa de identificar os sete reis com respectivos
impérios mundiais em particular poderá ter mais sucesso
[do que uma tentativa de identificar as cabeças
com os imperadores romanos], desde que isso tenha
mais a ver com as ‘sete cabeças’ em Daniel 7:3-7,
que representa quatro impérios específicos. Os cinco
primeiros reis, que ‘caíram’são identificados com o
Egito, a Assíria, a Babilônia, a Pérsia e a Grécia;
Roma é aquela que ‘é’, seguida por um império
ainda desconhecido que há de vir”. Na página 560 ele
declara: “Assim como os reinos com sete cabeças em
Daniel 7:4-7 atravessam a história da Babilônia até
o fim, da mesma forma a besta com sete cabeças de
Apocalipse 17 atravessa muitos séculos e, da mesma
forma, toda a história...” Osborne, 619, e Mounce,
317, relacionam os mesmos impérios. Entretanto,
Mounce mostra que Alford identifica a sétima cabeça
como “o império cristão iniciado com Constantino”
(317). Kistemaker, 471, assegura que “as sete colinas
apontam para poderes mundiais que têm o seu lugar
na história”. Ele menciona os cinco impérios que já
caíram: Babilônia, Assíria, Neo-Babilônia, Medo-
Pérsia e Greco-Macedônia. A sexta cabeça é Roma.
A sétima são “todos os governos anti-cristãos desde
a queda de Roma até o império final do anticristo”
(472). Enquanto Beale e Mounce mencionam esta
interpretação em particular, mas seguindo a outros,
Kistemaker parece se ater ao apresentado aqui.
28 Cf. K. A. Strand, “‘Victorious-Introduction’
Scenes”, Symposium on Revelation: Introductory
and Exegetical Studies, vol. 1, Daniel and Revelation
Committee Series, editado por F. B. Holbrook (Silver
Spring, MI: Biblical Research Institute, Associação
Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, 1992), 67.
29 Nichol, 856, sugere: a ausência no grego de
um artigo definido antes da palavra ‘oitavo’ sugere
que a própria besta era a real autoridade por trás
das sete cabeças e que, dessa forma, é mais do que
meramente uma outra cabeça, a oitava na seqüência.
É a sua conclusão e clímax – a própria besta”. Essa
observação é sustentada por Kistemaker, 473, e
Mounce, 318.
30 Kistemaker, 473. Cf. Ladd, 231.
31 Kistemaker, 432, faz uma observação similar
declarando que “esse pequeno período não deve
ser tomado literalmente, mas simbolicamente... Portanto,
o termo pouco tempo é um pequeno período
cronológico funcionando dentro de um período de
tempo mais abrangente”. Por outro lado, Beale, 872,
sugere “que as seis primeiras ‘cabeças’ (= reinos)
duram um longo tempo provavelmente por toda a
história, em contraste com a sétima ‘cabeça’”. Ele
baseia sua sugestão em Apocalipse 20:3, quando
Satanás é solto por “pouco tempo”. No entanto,
Apocalipse 20:3 usa uma expressão diferente (mikron
chronon) e, dessa forma, não é realmente comparável
com Apocalipse 17:10 (oligon) e Apocalipse 12:12
(oligon kairon).
32 Nichol, 811.
33 Ibid, 857.
34 Strand, Interpreting the Book of Revelation,
56.
35 De acordo com Apocalipse 17:16, a besta e os
chifres se voltarão contra a prostituta e a atacarão e
destruirão. Neste contexto, as cabeças não são mencionadas,
somente a besta e os chifres. Se as cabeças
são principalmente entidades passadas – como
sugerido acima – isto faz perfeito sentido.
36 Beale, 871.

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